March 24, 2016

Agora foi Bruxelas.

Honestamente não sei por onde começar. Se pela triste notícia que o mundo recebeu. Se pela fotografia que já correu o mundo inteiro ou se debite umas palavras sobre o que penso sobre tudo isto.

A verdade é que o mundo foi abalado e a vida de mais uma data de gente também. Não só a vidas que se perderam, mas como de todos aqueles que sobreviveram ou são familiares. Uma data de corações e lágrimas foram perdidas e a realidade é cada vez mais esta. O terror vai continuar a ser espalhado e é mesmo essa a intenção. É isso que pessoas com estas intenções fazem. Espalham o terror e não tem nem dó nem piedade de quem perde as vidas. O importante é continuar a fazer sangue. O importante é continuar a acreditar que isto tudo que fazem é por uma causa nobre. Como se isso fosse possível. Agora foi Bruxelas. Amanhã ninguém sabe. E é nesta frase que reside tudo o que é mau. O problema daqui por em diante é que as pessoas vão andar aterrorizadas. Assustadas e com um alarme dentro delas. Se virem algo de estranho vão desatar a levantar suspeitas. Já aconteceu, em Lisboa, percebem? É isto que é pretendido e vai ser conseguido.

Outro problema que vai continuar a dar força a isto, é o facto de nós (e neste caso eu não ajudo) falamos, mostramos, em vez de tentarmos fazer com que mal se fale. Se a ideia é mostrarem-se e serem falados, nós devíamos fazer precisamente o inverso, só que somos incapazes porque ficamos indignados demais para engolir o sapo. Escrevemos e escrevemos. Como eu estou a escrever. Sinceramente não quero de modo algum passar a andar com medo nas ruas. Não quero sentir o que estas pessoas sentiram naqueles minutos. Não quero ser aquela senhora, cuja fotografia, já se tornou viral, e que deu por ela em choque, sem dizer uma única palavra, a entender se ainda tinha as suas pernas ou não. Como é que os que estavam à volta delas estavam mortos, sem membros, e ela mantinha. Pura sorte. Nem mais nem menos. O pânico no rosto é demasiado óbvio. A falta de reação é igualmente grande. 

E o que eu acho disto tudo é que tal como em Bruxelas, mais Bruxelas poderão acontecer. A rede continuará a ser apanhada aos poucos, mas a verdade é que a mensagem vai sendo passada de uns para outros, para que consigam levar com isto por diante. Não podemos viver aterrorizados, mas provavelmente algo terá de ser feito. Só me falta descobrir o quê ou como poderá ser feito. 

É triste. Muito triste. 
As vidas que são perdidas por dá cá aquela palha, não são sapos fáceis de engolir. 


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