September 26, 2015

Caloiros e praxes

Acredito que muitos de nós já estejamos fartos desta conversa, destes acontecimentos, mas é complicado para mim ficar calada quando vejo que jovens põem a sua vida em risco, porque é literalmente disso que se trata. Não sou velha nenhuma, e certamente que se tivesse de me negar, negava, apesar de todas as consequências que isso traria, porque acredito que as houvessem sem sombra de dúvida. Se as praxes são assim, as consequências não deveriam ser melhores. De qualquer forma, não entendo onde pretendemos chegar com estas coisas. Nem todas as faculdades têm praxes deste género ou melhor dizendo, nem todos têm ideias tristes como estas e se põem em situações destas, mas nenhuma deveria ter. Assim sim. Mas não sei porquê parece-me cá a mim que ainda não é desta que deixamos de ouvir histórias destas. Nem com o caso do Meco as coisas abrandaram. Afinal de contas, até pode ser outro mar, mas é mar e o que estavam a fazer não é mais, nem menos do que pura estupidez.

Não sei qual será o prazer que poderá dar, não compreendo. Certamente que para a rapariga de 19 anos que foi levada para o hospital o gozo acabou a partir do momento em que deixou de estar consciente ou até momentos antes. Parece que as coisas têm de se dizer assim, duras, sem virgulas. Então nós dizemos. Será normal? Será que os jovens estão a deixar de medir as consequências cada vez mais, de dia para dia? 
Coma alcoólico não é brincadeira, nem aos 19, nem com qualquer outra idade. Enterrar pessoas numa areia fria, com o mar por perto, sem defesa possível, também não creio que seja brincadeira. É algo sério e que poderia simplesmente ser fatal. Não sou mãe, mas acredito que esta mãe (e pai também) não devam estar propriamente contentes e quem sabe, por mais que avisassem, quando se metem algumas coisas na cabeça, faz-se. 

Era bom que histórias destas deixassem de aparecer. 
Não era necessário acabar com as praxes, bastava controlá-las, estabelecer limites onde as consequências de dizer não, não fossem quem sabe assustadoras ao ponto de dizer sim a tudo. 

Nem todos devem ser crucificados, porque como já disse, não acontece em todo o lado. É preciso ter isso em conta. Por outro lado, há que chamar à razão quem tem de o ser.


Notícia aqui: http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/portugal/detalhe/jovem_inconsciente_apos_praxe.html

9 comments:

  1. Eu fui praxada e praxei e nem imaginas o que me custa quando saem destas notícias. A minha experiência foi excelente e nunca me arrependi de ter feito parte da praxe. Nunca mesmo. Tenho pena que haja gente parva que faz com que nem toda a gente possa ter experiências como a minha e que faça também com as praxes sejam mal vistas, quando a culpa é das pessoas, porque ficam com o rei na barriga porque podem "mandar" em meia dúzia de pessoas e então partem para as coisas mais estúpidas. Também eu pensava que tivessem aprendido com o caso do Meco, mas parece que não. Tenho pena.

    Lena's Petals xx

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  2. A verdade é que muitos caloiros não sabem que as praxes não são obrigatórias. Mas, apesar disso, eu acho que o facto de haver muitas praxes abusivas é que o caloiro não tem maturidade suficiente para se defender e para dizer o que quer e o que não quer. Ainda não passei pelas praxes, mas irei em breve e tenho a consciência que só faço aquilo que quero!
    beijinhos <3

    http://pinceladasdeglamor.blogspot.com/

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  3. Eu também acho que acabar com as praxes não é solução, mas criar-se alguns limites faria a diferença!
    THE PINK ELEPHANT SHOE | FACEBOOK |

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  4. É tão simples quanto isto: toda a gente é dono dos seus atos e prisioneiro das suas consequências. Ninguém obrigada ninguém a fazer o que não quer, muito menos na praxe. Se amiúda lá estava foi porque assim o quis, se ficou naquela embrulhada foi porque o permitiu. A culpa não é da praxe mas sim de quem a pratica. Quem se julga dono do mundo e com a mania da superioridade não será bom a praxar nem em nada da vida. Por isso se casos deste acontecem é porque as pessoas não medem atos nem consequências. Não é por ser praxe. Não é preciso haver atos de praxe para se entrar em coma alcoólico ou para se enterrar alguém na areia, brincadeiras parvas que podem acontecer em festas ou saídas com amigos ou até mesmo familiares. Mas claro a praxe há-de ser sempre um bicho de sete cabeças para grande parte das pessoas. Sou a favor da praxe quando esta é usada como forma de integração dos alunos e como prática de atos solidários. O resto? São atitudes irracionais e parvas das pessoas, a culpa não é da praxe. Um beijinho e visita: Blog da Márcia

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  5. ainda nao tinha visto esta noticia e é triste ver que as pessas nao tem noçao de certas coisas. a praxe devia ter um espirito de brincadeira e nao de humilhaçao nem obrigar pessoas a fazer destas coisas. eu fui praxada e praxei e foi tudo muito soft houve quem dissesse nao a algumas coisas e nao foi por isso que foi prejudicado.

    as pessoas deviam repensar as atividades que fazem nas praxes s calhar era bom haver um pouco de controlo nessas atividades.

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  6. Estes temas já enjoam... Fui praxada, praxei e 3 anos depois de ter terminado a faculdade, chega esta altura do ano quando começo a ver Trajados, e caloiros... sinto uma saudade imensa desses tempos...
    E a culpa não é da praxe... quem não quer ser praxado é fácil, declara-se anti-praxe... só falta dizer como o outro "Caloiro apanhou uma cadela com dois copos de cerveja e perdeu a virgindade com a boazona da Veterana" Veterana má! Tadinho do menino...
    Um Beijo Sweet Bunny <3

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  7. Este ano fui praxada (ainda faltam outras épocas de praxe, mas são só uns dias soltos, a principal já passou). Sempre quis ser praxada porque adoro o ponto principal disto: a integração. Na minha faculdade foi tudo excelente, tenho pena que nas outras hajam pessoas abusivas porque o ponto não é humilhar caloiros, o ponto é eles sentirem-se família uns com os outros. Isto é o que eu espero passar para o ano quando praxar e isto é o que eu sinto que os meus colegas de 2º e 3º ano me transmitem.

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  8. ola :) eu sou caloira este ano este ano e estou a passar pelas praxes, e digo te que esta a ser uma experiencia otima. Tenho problemas de saude e eles sempre foram super compreensivos, tanto os doutores, veteranos como tambem os meus colegas de curso. Quando vi esta noticia pensei "oh pa, mas caloiro nao bebe e tem hora de recolher as 9:01h", foi a primeira que me veio a cabeça pois foi assim que "aprendi" ca no porto. A culpa não é da praxe, porque isto simplesmente nao é praxe. São brincadeiras estupidas e de mau gosto de gente imatura apesar da idade.

    Joana, conheci hoje o teu blog e gostei bastante deste primeiro post que li. Vou continuar a visitar! Beijinhos :)
    cacadorasonhos.blogspot.com

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  9. Adorei o textinho, as praxes é e será sempre motivo de grandes discussões.Realmente, muitos caloiros não sabem que a praxe não é obrigatória e talvez, muitos acabam por ir obrigados e com ideias erradas de quem os assusta.
    Eu fui praxada em dois cursos diferentes e só tenho a agradecer. A praxe é organizada pelo 3º ano, no caso da UALg e cabe a esse ano, ter a maturidade e decência de cuidar das suas "bestas". Os meus académicos foram sempre, mães e pais galinha que perguntavam constantemente se estava tudo bem!
    Não é por um curso ser imaturo nas práticas que todos os restantes o são aliás, eu este ano, vi bastante controlo por parte da comissão de praxes geral.
    A praxe é apenas um integração e também, uma forma de união da nova turma que ali se formam porque, muitos caloiros pensam que universidade é cada um por si e, cada vez mais, existem trabalho de equipa e o saber partilhar.

    Beijinho Joana **

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