September 25, 2015

30 minutos no dentista

Na terça-feira disse que estava a aproximar-se uma data complexa para mim, e estava mesmo. O dia em que iria remover o meu dente "malandro" ou dizendo correctamente, o meu dente supranumerário que para aqueles que conviveram comigo no ciclo era quase uma imagem de marca. Sim, por incrível que possa parecer, para algumas pessoas eu estava bem assim, habituaram-se e era diferente. Para mim era uma terrível dor de cabeça, mas o que é que se há-de fazer? Se alguns lerem isto vão rir-se e vão rever-se nos que achavam-que-isto-era-qualquer-coisa-normal, só que não era e não me fazia mesmo bem nenhum. 

Já ontem, quinta-feira, foi o tal dia chato e complicado e olhem que foi mesmo complicado. As horas aproximavam-se e a minha vontade era ficar sentadinha no meu quarto, de volta de blogs e de renovações, enfim, tudo e mais um par de botas. Mas eu sabia que não podia e por isso pus pés a caminho do dentista e cheguei mesmo a tempo. A tempo de passar apenas 30 minutos (ou menos) dentro do dentista. Mas esse tempo foi bem aproveitado, anestesias nos dois dentes, perguntas feitas ao médico (porque eu sou uma paciente mesmo muito chata!) e pronto, lá estava eu na cadeirinha a ser levada para trás para que me retirassem o siso superior esquerdo e o meu dente supranumerário - que para quem não sabe é um dente que está de facto a mais na nossa boca, não faz falta nenhuma e aparece porque quer, porque lhe apetece. Basicamente ninguém tem culpa e a única coisa que podemos fazer é removê-lo. Mas como comigo é sempre tudo muito complicado, ele não estava no céu da boca, nem por cima de outro, estava mesmo no meio dos meu dentes superiores, assim de lado, pois, entendem agora porque é que para mim não era uma imagem de marca, mas sim algo incomodativo? Não é que se notasse por aí além, mas também não podia esboçar um sorriso grande, porque ele estaria lá a marcar presença.
Posto isto, chegaram os curtos minutos de onde foram removidos os dois dentes. Desta vez, tenho de admitir foi a primeira anestesia que me doeu. O meu dente supranumerário quer mesmo marcar-me para a vida toda, e acreditem, até as lágrimas me escorreram pelo rosto, tal não foi a dor. E depois o malvado quis ser novamente muito pouco meu amigo e para extrair o dito, não foi necessário puxar muito por ele, mas devido à sua terrível posição, foi feita força nos meus dentes da frente e isso também me deu direito a umas lágrimas. Não sou mariquinhas, acreditem, até acho que me estou a sair muito bem, mas doeu mesmo. Só que tinha de ser, senão não poderia colocar aparelho nunca na vida. 

O pior veio depois, veio quando meti um pé de fora do consultório (coisa que estava mesmo desejando), não porque me façam mal, muito pelo contrário, mas porque precisava. As lágrimas tinham de cair, e cairam todas dentro do carro do meu homem, que não sabia ao certo o que me fazer, mas que sabia perfeitamente porque é que eu estava a chorar. Tal como disse quando comecei o texto, este dente marcou-me a vida inteira, sempre esteve a mais e sempre me tirou a segurança que tanto queria ter. Tornou-me numa mulher menos segura de mim, e por isso foi difícil. A bem ou a mal, ele esteve sempre por cá e agora já não está mais. Algo que tanto me prejudicou desapareceu, mas infelizmente deixou-me uma porta-de-água gigante, que agora também me torna insegura e que até fechar ou quase fechar, tenho muito que olhar ao espelho assim, e custa. Custa mesmo. Embora escreva muitas publicações sobre tudo e mais alguma coisa, e provavelmente pareça uma pessoa sempre segura de mim, nem sempre o sou e este é um dos pontos em que não sou e já não tenho problemas em dizê-lo.

Talvez o único conselho que deixe é que tentem ao máximo que tudo aquilo que vos faz mal, vos deixa menos seguros desapareça o mais brevemente possível das vossas vidas e sorriam muito. 

Por último, mas não menos importante, quero agradecer à equipa que esteve comigo ontem. Ao Dr. Pedro Mota e a todas as assistentes que estiveram por perto, por se preocuparem comigo e me dizerem que está tudo bem, que está quase. Enfim, sei que foi para isso que trabalharam, mas poderiam simplesmente fazer o vosso trabalho, atenção nem todos damos e vocês dão mesmo. Obrigado a todos pela paciência e apoio! 


5 comments:

  1. Sei em parte o que isso é, na minha adolescência tive dois dentes que me nasceram em cima da gengiva, não tinham espaço para na boca e por ali ficaram durante alguns meses. Não me marcaram tanto como o teu dente a ti, porque entretanto comecei a pôr aparelhos: o primeiro para alargar o palato, de forma a que esses dois dentes descessem por eles e ficassem correctamente posicionados. Depois fui para o aparelho dentário de arames.

    Acredito que tenha sido uma tortura para ti teres esse dente tanto tempo, o que deixou traumas, que a partir de agora acredito que irás conseguir superar. Muita força, daqui a uns tempos vamos ver uma Joana muito mais bonita que uma princesa.

    As melhoras e pensamento positivo. :)

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    1. Obrigado pelas palavras de apoio gigante Ana! Estas são daquelas coisas que se agradecem mesmo, nunca são demais. Beijinhos enormes para ti! :)

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  2. Minha querida, fico muito feliz que finalmente tenhas eliminado esta parte mais incomodativa da tua vida. Que continues a mulher maravilhosa que és!

    THE PINK ELEPHANT SHOE | FACEBOOK |

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  3. Eu quando era mais nova tirava os meus dentes todos no dentista, por isso já estou habituada... A verdade é que é sempre um problema ir ao dentista! Mas ainda bem que tudo correu bem.
    Beijinhos <3
    http://pinceladasdeglamor.blogspot.pt

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