March 03, 2015

Acerca da liberdade de expressão

Lá vai booomba. Até parece que já estou a ouvir nos meus ouvidos. E acreditem que isto faz-me um pequena grande comichão. Dá mesmo vontade de inventar um verbo novo, daqueles que não existem. Apresento-vos o verbo comichar. Porque dá-me mesmo vontade de começar a comichar, não é coçar. não não. Qual coçar. Co-mi-char. Isto tudo porque é muito bonito falarmos da liberdade de expressão a que todos temos direito, da qual somos donos e senhores ou senhoras donas, para a mulherada. Mas o que realmente me comicha é acabarmos por ao mesmo tempo em que dizemos que temos liberdade de expressão e que isto e que aquilo, e que a queremos e que é nossa e que podemos fazer e dizer sem olhar a quem, depois caí-nos o tiro pela culatra. Mas é que sai mesmo. Ora atentem bem no pensamento e vejam lá se depois no final de contas não é isto que sucede. E é mais ou menos assim... Eu tenho uma opinião e dou-a, eu tenho um gosto por x ou por y e apresento-o aqui ou mesmo no dia a dia a falar com alguém meu conhecido ou amigo. Até aqui, tudo entendido? Pronto. Depois, a pessoa pode concordar ou pode discordar porque na verdade é tão livre quanto eu de achar o que bem entender. Até aqui faz tudo sentido não faz? Ainda bem! Agora vem a parte pior, aquela que não entendo ou que me comicha novamente. Eu até posso não gostar particularmente de um tema, de uma cor, de um sabor, porém, posso abordar a questão ou situação de diferentes formas, não é? Acabando por ser mais ou menos correcta(o). Eu posso escolher a forma de demonstrar à pessoa ou ao grupo de pessoas que não concordo só porque não concordo, porque não me desperta interesse ou posso argumentar, mas o que importa é que não gosto, certo? Mas não ganho nada, ou acho eu que não ganho nada, em mandar vir com o assunto A ou B, C ou D, seja ele qual for, seja ele bom ou mau. É um assunto como qualquer outro. Quem o aborda poderá fazê-lo melhor ou pior, mas fá-lo, livremente e sinceramente... fá-lo à sua maneira. Se calhar até acaba por ser feliz por fazê-lo. Do que me vale a pena disparar tiros e bombas nucleares? Ok, não gosto, posso dizê-lo? Posso. Perante a "lei-da-liberdade-de-expressão" que "supostamente-existe-para-as-pessoas", é claro que posso. Mas se formos por aí, tanto posso eu dizer que não gosto, quanto a outra pessoa pode dizer que está no seu livre direito de dizer, escrever ou falar sobre o que bem lhe entender. Será que depois desta conversa toda ainda estão a conseguir entender o raciocínio inicial? Se calhar fui muito confusa. 

Resumidamente. Se a liberdade de expressão fosse levada a peito a 100% ou se quem ouvisse e disparava contra cada opinião diferente, o mundo virava a república das bananas. Quase que vira, mas isso são outros quinhentos. Agora, tudo bem que temos liberdade de expressão e por exemplo, cada blogger aborda o que mais lhe apraz, seja dita verdade, ou o que lhe dá mais jeito, o que faz parte dela, por assim dizer. Por vezes pode ter mais ou menos conteúdo, é verdade, pode estar mais ou menos bem preparado, é verdade também. Mas é a seu gosto, pelo menos assim sente-se bem, não é? E é graças a isso que existe tanta diversidade de blogs e temas! Até porque isto é um mundo de mulheres, e só o faço de dizer "isto-é-um-mundo-de-mulheres" me dá logo vontade de comichar mais uma vez. Porque nós mulheres somos difíceis e más. Somos mesmo, nada há a fazer contra isso. Mas entenderam? Nós somos todos livres no que toca às palavras, só que, a liberdade não é a liberdadezinha, se é que me faço entender. Afinal de contas não vivemos numa bolha isolados. E falo contra mim que sou uma pessoa que diz o que pensa. 

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