February 19, 2015

"Ou é tudo ou não vale nada" Pedro Chagas Freitas | Chiado Editora

Como já havia sido anunciado, a Chiado Editora é parceira deste blog e como tal chegou a altura de elaborar a minha opinião acerca do primeiro livro que li. O livro é do autor Pedro Chagas Freitas e intitula-se de "Ou é Tudo ou Não vale Nada". 

A Sinopse: 

Um livro escrito em directo e ao vivo - como um espectáculo. E é: escrever pode ser (e é mesmo) um espectáculo. Foi isso que o Pedro Chagas Freitas, com a ajuda de mais de duas dezenas de personalidades das mais diversas áreas, fez. Ao longo de 2012 minutos consecutivos, escreveu, escreveu. E escreveu. O que daí resulta é esta obra - um romance de cortar a respiração, em que um homem procura incansavelmente uma mulher que só ele vê e que só ele acredita existir. Conseguirá encontrá-la?
Ou é Tudo ou Não Vale Nada de Pedro Chagas Freitas



A opinião:

Este é um livro que como a sinopse indica foi escrito em 2012 minutos, em que o autor escreveu sem parar com a ajuda de várias personalidades. O romance que encontramos no interior é um romance que nos absorve, é um romance entre um homem e uma mulher que só ele é capaz de ver, só ele é capaz de não duvidar da sua existência. Estará este homem bem? Verá este homem a realidade? É algo que tentamos descobrir ao longo de todo o livro. As peripécias são imensas e o romance dá imensas voltas, sobretudo quando o homem pensa que está quase a encontrá-la e afinal - ela - não está lá. Um livro que na minha opinião é intenso, e que me prendeu a ponto de lê-lo em cerca de uma semana. 

"Estava lá. Ainda estava lá. Fechou os olhos, apertou com força. Um, dois, três, quatro." "Um, dois, três, quatro. E abrir. Nada. Ou melhor: tudo. Tudo na mesma."


Foi sempre assim durante todo o livro. Um tudo e um nada para este homem, levando-o a mencionar inúmeras vezes o que é o amor, dizendo que o amor, esse, existe de todas as maneiras, de todas as formas. Mas que existe, e que não precisa de um corpo para existir. Ele sentia-lhe o cheiro. O cheiro a mar. A areia perdida, por todos os lados da sua casa, do seu carro. A areia da praia.

"O amor é tão grande que nem precisa de um corpo para existir"
"O amor é tão grande que nem precisa de ser visto."
"O amor é tão grande que nem precisa de estar vivo." 

Estaria esta mulher viva? Existiria apenas dentro da cabeça deste homem? Durante todo o livro foram essas as perguntas que me assaltaram a mente. Será que não passava apenas da sua imaginação? Seria uma lembrança de outros tempos? Questionei-me ao longo do livro qual seria a veracidade de tudo o que era descrito, de todos os passos que o homem dava sem sequer a encontrar. Ele via-a em todo o lado. Ela era tudo para ele. Ela era mais do que a mulher dele. Ela era o sonho dele. Mas e se tudo isto fosse mentira? E se ela não existisse? Seria ele um louco? Estaria ele a viver uma vida que não corresponderia ao mundo real? Afinal ele era o único capaz de vê-la, não era? A cara dela só o era para ele, e só para ele. Eu não sei, mas foi quando cheguei ao capítulo 16 que comecei a tentar juntar peças. Muitas peças confusas.

É no capítulo 16 que após quase desistir de tudo, o homem decide voltar atrás e ao entrar num café que existia na berma da estrada, se depara com uma notícia no jornal:

"ACIDENTE EM ALBUFEIRA MATA MAIS TRÊS"

O que me levou a pensar que ele poderia estar completamente louco, a viver numa realidade totalmente diferente, que tinham sofrido um acidente e que nada desta história, deste romance seria verdade. Mas enganei-me. Enganei-me profundamente. Num pequeno papel deixado ao homem estava escrito:

"PROCURA-ME NO SÍTIO DE ONDE NUNCA SAÍMOS"

E foi aí que entendi que iria realmente levar-me para outra dimensão, que o romance teria um momento trágico pelo meio, afinal, só não tinha sido um acidente de carro. Mais uma vez, o cheiro a areia - areia e a mar - e era no mar que o cheiro dela se fazia sentir. Dizia o homem que ela sabia a mar e a céu. E é na praia que o homem encontra uma placa com mais uma frase para ele:

"EU ESTOU MESMO À FRENTE DOS TEUS OLHOS"

Eu confesso que comecei a ficar impaciente, queria saber o que iria acontecer. Ele não sabia o que poderia estar à frente dos seus olhos, e eu também não fazia ideia. E foi quando virei a página para o capítulo 18, que finalmente entendi! Ela estava à frente dos seus olhos. Dela - restava uma coroa de flores no meio daquele pequeno espaço de areia onde ele estava. Para mim, cheirava a morte. E foi o que uma velha lhe disse quando ele perguntou que lugar seria aquele. - Um lugar de morte. - disse ela. A morte de uma mulher, há muitos anos, que desaparecera ali para sempre. Reza a lenda, que o namorado não se lembrou mais dela, que a sua memória foi totalmente apagada, que desse acidente apenas restou ele. 

A minha mente continuava confusa e com uma sede tremenda de acabar o livro para saber se afinal seria isto. Sim, isto, que teria acontecido. Seria ele este homem? Teria ele perdido um grande amor? Ou desistido dele? 

Quase a chegar ao final, no capítulo 22, tive a resposta para os meus pensamentos. Este relata a história de um casal que fez juras de amor na praia, no meio da areia. Uma jura de amor, mas mais parecia um pacto de sangue. Um mergulho eterno, uma perdição. Até ao final dos seus dias, no topo de uma falésia,  uma rapariga e um rapaz que selaram o seu eterno amor com um mergulho. Um mar imenso por debaixo dos seus narizes. E um salto. Um salto de amor, um salto que levou a vida dela. E uma cobardia que deixou ficá-lo com vida. Ele sobreviveu e viveu a sua vida sem perder e sem ganhar nada. Naquele dia tudo deixara de fazer sentido. E foi lá naquela praia que ela ficou, ela e todo o amor que eles sentiam. O rapaz, o homem, levou a sua vida a deambular, a tentar viver ou a tentar sobreviver. 

Mas será que foi mesmo isso que aconteceu? Acredito que todas as pessoas que leram este livro ficaram confusas. A escrita é sempre intensa, é sempre diferente. Confunde-nos e prende-nos a cada pormenor. O autor consegue sempre fazer com que queiramos entender mais e melhor. Terá ele encontrado essa mulher? E era essa mulher que estaria com ele no quarto no capítulo final? Estaria ele a sonhar com a possibilidade de perda dela? Ou teria tentado refazer a sua vida?


Levem a vossa imaginação por caminhos desconhecidos, como eu... 

"Ou é Tudo ou Não Vale nada" leva-nos a mente a divagar entre todos os caminhos deste romance. Certamente é merecedor de uma leitura vossa. 

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