November 04, 2014

Palavras perdidas

Ontem queria ouvir músicas tristes, músicas de outros tempos, músicas que se sentissem como eu. E eu não me sentia lá muito bem. Ia-me sentindo. Mas o que importa ir-me sentindo? Parece que falo a meu próprio respeito aos pedaços. Como se fosse sentindo um pouco de mim ali e outro acolá. Mas se calhar é mesmo isso que acontece. 

Há dias que me sinto por inteiro. Não me sinto fragmentada com nada. Talvez por não permitir que o que me vai quebrando, me quebre. Só tenho pena que seja por pouco tempo. Mas esta cabeça louca nunca leva muitos dias, ou horas, a ficar em pequenos cacos espalhados por todo o lado. E nesses dias sinto-me por metades. Sinto-me apenas pelo que me faz sentir. Sinto-me porque preciso. Sinto-me porque sei amar. Mal de mim se não soubesse. Ainda me fragmentava mais, e isso eu não quero. Malvada cabeça a minha que me faz observar demais, e me mostra como todos os dias as pessoas são orgulhosas e rancorosas. 

Malditas pessoas. Será que algum dia vou ser capaz de entender o que as leva a tamanho erro? A falsidade não ajuda ninguém. Afasta. Quebra. Fragmenta. Repulsa. E eu sei que somos ensinados para perdoar e dar sempre o outro lado, a tenta confiar mais uma vez. Mas essa vez tem um fim, quando após tantas tentativas, a única coisa que somos capazes de ver são palavras perdidas. Palavras que deveriam ser sentidas e verdadeiras. E que podem até tê-lo sinto. Talvez num curto espaço de tempo. E que depois disso não são mais do que pó. São palavras soltas, palavras cobertas de pó.  E essas a mim não me dizem nada. E não me venham dizer a mim que não é bem assim. Se as palavras valessem o que deveriam valer, o mundo estaria melhor, não oscilava da maneira que oscila. 

Maldito mundo. Faz-me secar, como se fosse uma flor posta às escuras num quarto escuro sem ter o que respirar, sem ver a luz do sol. Não gosto de ping-pong, não gosto do sim e do não. Prefiro as certezas, prefiro que não seja à vontade do freguês. E num dia vive-se o pleno. 

E no outro não se vive. 

É assim que se perde, é assim que não se agarra com as duas mãos o que tanto queremos - o que tanto amamos. Jogamos tudo borda fora. E não me venham dizer a mim que existem milagres, pelo menos nas palavras pedidas. São soltas. E não voltam a entrar na nossa boca. Saem, não pedem licença. E ficam guardadas na memória de quem as ouve. E aquelas que são ditas nas costas? Essas não são ouvidas, são sentidas. E fragmentam tanto quanto as ouvidas. Por isso o melhor que se tem a fazer é abrir os braços enquanto se pode, enquanto nos abracem de volta, um dia isso acaba, e as pessoas não têm culpa, mas não se pode esperar até morrer. Espera-se até haver esperança. Espera-se até se acreditar que pode dar certo. 



A todos aqueles que acreditam. A todos aqueles que ainda me fazem acreditar. A todos aqueles que mesmo me conhecendo os medos e as inseguranças me dão a mão. A todos aqueles que não guarda a palavra desculpa dentro da boca. A todos aqueles que vão à luta. A todos aqueles que me conhecem e sabem como é importante para mim a verdade. 

E a ti... por seres amor em mim, por me amares, teres paciência para mim e me aturares.


2 comments:

  1. ...e vou sempre amar-te, vou sempre estar do teu lado, sempre a dar-te apoio, sempre a fazer por te entender, vou para sempre querer continuar a ser feliz junto a ti e a querer contribuír para a tua felicidade, porque o amor é assim, e eu AMO-TE J <3 J

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