November 19, 2014

A história de Sofia Lisboa

Sou sincera, já não sei a que horas do dia passei os olhos por alto sobre a imagem chocante que a Sofia Lisboa partilhou com o mundo. Mas fiquei com aquela imagem, como ela mesma diz, «monstruosa» na cabeça e agora após chegar a casa tentei encontrar a notícia novamente e finalmente li tudo com pés e cabeça. Sinceramente acho que é uma história que muitas pessoas deveriam de ler para acreditar que é possível lutar e vencer, não é só lutar; é possível chegar onde se quer, apesar da sorte que teve pela possibilidade de ter a sua irmã como dadora totalmente compatível, que infelizmente nem todos têm. Agora deu-nos a possibilidade de ler as 208 páginas com o relato de tudo pelo que foi forçada a passar, e tenho para mim, que será com toda a certeza um óptimo livro. Voltando ao que me despertou a atenção, e falando por mim mesma, não sei se teria a coragem da Sofia ao deixar a público aquela imagem. É forte e pode mostrar muito bem que afinal se pode recuperar, e isso é muito bom. Mas a verdade é que a fotografia é realmente desconcertante, parece que estou a olhar para duas pessoas completamente distintas, parece que não é possível ser a mesma pessoa, que o corpo não é aquele. 

Acima disso, Sofia nunca mais poderá ser mãe. Maldita doença que lhe apareceu ao fim de 14 semanas de gravidez; forçando-a a pôr fim à possibilidade de ser mãe. Para uma mulher, creio que seja das piores coisas. Desistir da gravidez e saber que não mais poderá ser mãe. E o marido? Também não ficou cá para contar história. E o emprego? Também deixou de existir...

É realmente uma história que mexe com o ser humano, que é chocante, mas que nos pode ensinar várias lições. Ela não desistiu e todos aqueles que passarem por tamanha luta não podem desistir, nem eles, nem os que os amam. É uma luta conjunta. Uma luta árdua mas que poderá tornar-se numa enorme vitória. 


Nos últimos dias tenho sido quase que bombardeada com notícias tristes, com notícias más, que não me agradam nada e só consigo chegar à conclusão que talvez fosse uma maneira de abrir os olhos ao mundo que temos hoje em dia. Um mundo mesquinho, um mundo repleto de pessoas pouco capazes, um mundo onde se cruza os braços e não se luta por nada, um mundo onde se liga mais às coisas pequenas, às coisas que não importam; contrariamente ao que realmente é capaz de destruir uma vida ou mudá-la para sempre. Não será assim? Eu creio que sim, mas faltam-me as palavras... Vejo pessoas passarem os dias a falar do que não importa, do que já não é, do que já foi, de tudo e mais alguma coisa; coisas sem interesse, coisas que bem apertadinhas só comprovam mesquenhice e uma falta de qualquer-coisa-que-não-sei-dar-nome. Isso tudo colocado ao lado de uma história destas, nem sequer é do tamanho de uma migalha. Mas é assim que ainda hoje se prefere viver. É o mundo que temos. E são as pessoas que nos rodeiam. Infelizmente existem histórias destas, e estas sim merecem ser faladas e bem observadas, não o dia-a-dia dos outros, nem nenhuma pequenez alheia. 


Será certamente uma leitura futura, quando acabar o meu livrinho do momento...

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