December 11, 2010

Bailarina

Danças, e danças - sem parar. Dás voltas, e saltos; pões-te em pontas e dás piruetas. Dás o teu belo espectáculo para uma plateia repleta de apreciadores ou críticos; interessados ou desinteressados que por uma ou outra razão ali foram parar; sentados a olhar-te, a ver-te dançar. Mostras tudo o que te ensinaram, bailarina, mas nem assim, nem com todo o teu esforço te irão deixar de criticar e te apontar o dedo. Se caíres, podes nunca mais ter possibilidade de dançar, ou podes continuar a executar cada movimento. És uma incerteza, és uma incógnita, bailarina.

Mas tu, pobre bailarina, não passas disso - pobre, e mera bailarina - equivalente à vida. Todos nós andamos nela, sem parar. Corremos, percorremos caminhos sem nunca os largar. Por vezes, damos saltos altos demais para nós, e, é aí que nos apercebemos do quão pequenos podemos ser. Com tantas voltas e tantas piruetas, vida, não há ninguém que se aguente; ninguém se aguenta com tantos altos e baixos, com tantas trocas de posição e coreografias complicadas. E com isto, continuas a ser uma incerteza, uma incógnita, bailarina.

Pára. Senta-te no chão do palco. Senta-te onde quiseres. Mas pára. Não te cansas de ser assim? Danças incessantemente - danças, e tornas a dançar, qual vida dança contigo, e connosco. 

Brinca com as nossas vidas, brinca com sentimentos - com tudo o que possa apanhar pelo caminho. Faz-nos errar no caminho, faz-nos pisar trilhos que nos irão corroer e despedaçar. Mas, tal como tu, também nos dá alegrias. Por entre essa incessante dança, por esse salto complicado que no fim é bem executado. Por conseguires ultrapassar essas piruetas - para nós impossíveis -, por te pores em pontas melhores que qualquer outra pessoa, bailarina.

Queres dançar? Dança, dança sempre. Mas um dia, promete-me, bailarina, que me ensinas a dançar. A dança da vida.


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