March 02, 2010

Só com o coração

Recuso-me a escrever por obrigação. Recuso-me a expressar determinadas opiniões ou situações, quando o meu coração não o deseja. Escrever, para mim, não é simplesmente digitar meia-dúzia de palavras, escrever é algo que me ultrapassa. É necessário sentir uma vontade muito forte para escrever sem parar. Perder-me entre as palavras, e as expressões. Perder-me por entre os sentimentos que aparecem em mim quando começo mais uma frase, mais uma passagem. Perder-me de mim, sair de mim, entrar no que passo para o papel ou para que lugar seja. Perder-me de mim, para me encontrar-me noutro lugar. Só com o coração é que faz sentido. Se algum dia me questionarem se escrevo apenas por escrever, direi sempre que não, e irei afirmá-lo a vida toda. Mas se me perguntarem se escrevo somente quando tenho necessidade de «falar» também vou negá-lo. Falar do que me rodeia, do dia-a-dia, é fácil para mim. E faço-o com o maior gosto. As palavras aparecem, assim como os sentimentos que durante o dia estiveram comigo e me deram a mão. Porém, também faço parte do grupo de pessoas que escreve sobre temas que surgem, sobre qualquer coisa que nem sei bem porquê. Expresso-me, quer aceitem a opinião que tenho ou não. Mas a maior afirmação que posso dar é que: escrever, só mesmo com o coração. Escrever só com o, meu, coração. Não escrevo com o coração de ninguém, não transporto sentimentos dos outros, mas sim os meus. E é a eles que recorro cada vez que abro mais uma página do meu blogue e desato a escrever linhas e linhas. E como já deu para entender, decidi escrever sobre o coração e sobre o que é escrever com ele. Talvez alguns saibam o que é e outros desconheçam profundamente. Até ao próximo texto, escrito só com o coração

(o Gonçalo começou a escrever, e «obrigou-me» a escrever, já não escrevia há uma semana)  

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