January 17, 2010

Livro de reclamações

Abri o livro de reclamações. Foi necessário abri-lo. Por vezes, e embora não me incomodes mais, torna-se necessário. Se eu quisesse dizer tudo o que estou a pensar neste momento não me chegariam as linhas que tenho para escrever, possivelmente ia reclamar demasiado e não quero isso. Abri o livro de reclamações para reclamar mais uma vez contigo. Estúpido; é o que me apetece chamar-te. Não preciso, nem vou dizer um adjectivo diferente. Encaixa-te bem esse. Às vezes, seria bom apagar memórias com uma borracha, ou então esquecer-mo-nos totalmente delas. O meu livro de reclamações tem muitas folhas brancas ainda, tenho muito espaço para gastar contigo. Se devia gastá-lo com algo melhor? Sem dúvida alguma que sim. Mas parece que de vez em quando me obrigas a reclamar contigo, ou sobre ti e as tuas atitudes estúpidas. Ontem, infelizmente, lembrei-me de algumas coisas que me pareciam tão semelhantes a ti. Talvez não passem de características comuns, coincidências até, chatas por sinal, mas estão lá. Abri o livro de reclamações e a última vontade que tenho é arrancar a página que escrevi. Arrancá-la, amarfanhar o papel e jogá-lo no lixo. E a ti, jogava-te pela janela. A ti, aos teus tiques e às coisas que de vez em quando me lembram de ti. Não me incomodas mais e é só por isso que não me importo tanto de lembrar delas. Mas preferia mil vezes que isso nem acontecesse. Abri o livro de reclamações, escrevi mais uma página. Mais uma, que tu, não lerás. Não terás acesso a ela, nunca. Todavia, o meu livro de reclamações continuará aberto, com uma caneta pousada sobre as folhas.

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