January 10, 2010

Liberdade para voar

Pedes-me para voar, e eu digo-te que não consigo. Pedes-me para me libertar, e eu digo-te que isso já fiz. Pedes-me para não te tocar nunca mais, e eu respondo: «eu nunca te toquei». Tu paras de me fazer pedidos e perguntas-me porquê. E eu, peço-te para não perguntares isso. Voltas a pedir-me mil e uma coisas. E eu nego-te tudo. E a única razão para cruzar os braços e dizer-te que não é que para tocar realmente alguém, é preciso tocar para além da pele. É preciso sentir, mais do que realmente se sente. E na verdade, tu não me podes pedir nada. Não podes, nem deves fazê-lo. Nunca me deixas-te passar essa linha tão ténue que divide os dois toques. Juravas tudo e mais alguma coisa, mas utilizas-te cada palavra para cada mentira. «Loser» não há palavra melhor que encaixe nessa tua personagem. Tornas-me a pedir para voar, e eu repito que não consigo. Questionas-me porquê se digo que estou livre, e eu digo-te: que nunca tive asas para voar, porque nunca te consegui «tocar». Pedes-me por fim a minha mão, e eu digo-te que não ta darei nunca. Tu perguntas-me porquê e eu respondo-te em voz baixa: «não deixo que o faças, que o sintas, assim como tu nunca me deixas-te fazê-lo. Vai-te embora, porque eu já perdi a vontade de te tocar e de te sentir.» Viraste a cara, bateste com a porta e jamais voltas-te. Foi nesse dia, que eu consegui voar. 

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